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O Olho de Vidro

O Olho de Vidro

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Chapter 1 No.1

Word Count: 1685    |    Released on: 04/12/2017

orm

o anno

gues de Oliveira, filha de abastados judeus de Ourem. N?o tinham filhos; mas dos bra?os de um ao outro saltava um menino de cinco annos, chamado Braz, acariciado com blandicias de filho. A crean?a tratava de padrinho o doutor, e á senh

ancisca de Oliveira, bem que israelita e perfida ao sacramento do baptismo, alojava no peito entranhas t?o christ?s que le

ssem os paes d'aquella crean?a. A ama, que a tinha amamentado, morrêra; e

ama, entrasse a beijar a m?o do padrinho,

drinho ao teu amigo; ch

isse a crean?a, e sai

sca pr

! Acabamos de nos convenc

marido-esse convencimen

rado no cora??o

anh? podem apparecer ahi umas entranhas menos phantasticas do que

des ainda imaginar que elles vivem? Ha t

recebemos a ce

e Hollanda, a quem tu tens pedido tantas vezes novas d'elles; n?o t

e elles tenham morrido ambos. O mais cert

m recebido as cartas

S

m me tira a mim da cabe?a, que elles morreram em naufragio, ou os sicarios do fidalgo os mataram lá por fóra, ou... quem sabe?.

de 4 de outubro de 1694. Escreve-me de Marselha. N?o se queixa de mingua de recursos. Revela uma certa seguridade de espirito, que é signal de boas aven?as com as miserias da vida. Diz que está em arranjos com alguns heb

t?o. N'outras colonias, tambem tu já sabes que ninguem os viu. Que havem

e s?o roubadas-i

divinho, Deus sabe que o menino está amparado, e que ha de

o anniquilar. Antonio em qualquer parte acharia p?o, ainda que fosse máo physico; porém, com os talentos d'elle, n?o posso conceber máo medico. Seja o que f?r, Francisca. Eu espero ainda haver novas por alguns hebreus de Marselha. Hei de perguntar em que época e em que navios sairam colonos, e para onde sairam. N?o o fiz

beira do catre a contemplal-o adormecido em sonhos, que

ancisco de Moraes, hebreu abastadissimo de Villa Flor, commerciante de

va que fazia conta de trazer de Hollanda seu filho Heitor, que lá se estava educando em humanidades com seus tios, para estudar medicina em Coimbra; e, a tal respeito, accrescentava: ?N?o sei se érro em trazer o rapaz p

em coisas de religi?o. Recordava-lhe as numerosas victimas da inquisi??o, que preferiram morrer a desconfessar sua fé, antepondo a gloria do martyrio da idéa herdada de avós á hypocrisia de aceitarem apparentemente a religi?o dos carniceiros filhos de Domingos de Gusm?o. Lembrava-lhe a sublime coragem de Manuel Fernandes Villa Real, consul portuguez em Paris, e, n?o obst

udades de menino; tinha por si as lagrimas e instancias da m?e; promettia ser discreto e hypocrita; queixava-se do clima de Hollanda e de febres quartans. O pae era sósi

ido pela tormenta, se esgarrara do rumo, e f?ra a pique na costa de S. Domingos, a tempo que duas galeotas de flibusteiros, conhecidos como demonios do mar, na linguagem da peninsula britannica, faziam aguada n'uma bahia d'aquella infamada costa, onde poucos annos antes haviam naufragado tres naus francezas, capitaneadas pelo audacissimo colonisador Robert Ca

u, lendo a carta

eram aquelles amores do meu pobre Antonio! Já n?o ha duvidar... Est?o mortos! Batam as m?os os gallileos, e folguem de ver que vingaram as ondas o qu

mear-lhe no cora??o odios e paix?es que, no futuro, lhe podem ser a sua perdi??o. Nem se quer

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O Olho de Vidro
O Olho de Vidro
“Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor português, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. Foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa. Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte,o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell", que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856-1859), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Archivo pittoresco (1857-1868), A Esperança (1865-1866), Gazeta Literária do Porto (1868) (também chamada de Gazeta de Camilo Castelo Branco devido à sua extensa colaboração como redator), a revista literária República das Letras (1875), Ribaltas e Gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911) e Feira da Ladra (1929-1943) (font: Wikipedia).”
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