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O Olho de Vidro

Chapter 4 No.4

Word Count: 2424    |    Released on: 04/12/2017

sp

o céo da manh? d'aquelle d

tros enfileiravam-se processionalmente depóz os coches do filho de D. Jo?o IV. Ia grande movimento e alvoro?o nos mosteiros. Serpejavam innoveladas as multid?es

s, de desembargadores, caminharam mesuradamente por entre as naves, até se assentarem na sua alterosa tribuna, a

de tantas partes que, nem solicitado por D. Pedro II, aceitára o bispado de Macau. Já sabe o leitor curioso que se trata do padre Francisco de Santa Maria, author do Ceu aberto na terra, da Aguia do Empireo, da Saphyra veneziana e Jacintho portuguez, do Anno historico, de muitos volumes de serm?es, todos esplendidos, todos laureados, todos christianissimos; mas nenhum t?o esplendido, t?o laureado, t?o christ?o,

er ou galés, ou desterro, ou pris?o perpetua, ou garrote e fogueira, ou a fogueira em vida. D'e

ncias solu?antes que lhes ressumbram á fronte um suor glacial. Entre elles, porém, caminha firme, direito, altivo, com a sua tocha de cêra verde na m?o, e a samarra e a caroc

e tantas senten?as, indigitou o hebreu de Villa-Fl?r. Dois esbirros com o alcaide do santo

tor leu o

ndo christ?o baptisado, e como tal obrigado a ter e crer tudo o que tem, crê, e ensina a santa madre egreja de Roma, elle o fez pelo contrario vivendo apartado da nossa fé catholica, tendo cren?a na lei de Moisés, e fazendo em observancia da dita lei jejuns judaicos, estando nos dias d'elles sem comer nem be

de sua consciencia e bom despacho da sua causa, disse que o que tinha que dizer e declarar (sem o ter por culpa, antes por bom e nec

o havia nem podia haver salva??o, por ser acabada pela vinda de Christo, Jesus, senhor nosso e verdadeiro. E foi de novo admoestado tornasse sobre si; e, conhecendo seus erros, se apartasse d'elles, e se convertesse á fé catholica que tem, crê e ensina a santa madre egrej

, mas em outras muitas que com elle se tiveram, afim de sua reduc??o, que n?o se queria ap

da na cren?a de seus erros com obstina??o e contumacia, estivesse com seu procurador e lhe désse conta do estado de sua causa, e lhe pedisse o aconsel

ontraditas, pelo que foi lan?ado d'ellas. E estando outra vez com seu procurador para lhe formar os interrogatorios que quizesse, para serem reperguntadas as testemunhas que tinha contra si n?o veiu com ellas, dizendo que era desnecessaria diligencia, pois elle estava declarado e affirmativo prof

céo e a terra, e fez pacto com Abrah?o, e deu lei a Moisés, e poz por primeiro preceito d'ella: Non habebis alios Deos preter me. E, como tal, tinha por damnada cren?a o christianismo, e por tal a excluia, abjurava e renunciava, e ainda qualquer signal e caracter d'ella. E assim elle reu, sem mais processo, queria ser julgado por apartado da fé e por pa

em juizo: respondeu que sim, e por aquellas declara??es queria ser julgado; e sendo, advertido que fizesse genuflex?o, e reverencia á imagem de Jesus Christo crucificado, que se lhe mostrou, e o inquisidor que o processava repetidas vezes lhe apontou, nunca

torios; por serem desnecessarias mais diligencias, visto que elle já d

religi?o ás pessoas que lhe foram dadas para o encaminharem; porque ainda que elle reu tinha algumas letras, n?o havia professado as divinas, e como tal n?o podia explicar as escripturas sagradas, nem entendel-as como entendiam os religiosos letrados com quem havia estado, fiando elle mais do seu proprio entendimento q

ntender que elle reu, de puro e verdadeiro cora??o, se reduzia á nossa santa fé catholica, de que t?o cega e obstinadamente vivia apartado, para se poder usar com elle da misericordia que a santa madre egreja costuma conceder aos bons e verdadeiros

com elle reu, afim de o reduzirem á cren?a dos christ?os, tinha entendido o perigoso estado de sua causa, e o risco a que estava exposta sua vida; porém que, sem

e, sendo visto seu processo na mesa do santo officio, se assentou que o reu pela prova da justi?a e sua mesma confiss?o e declara??o estava convencido no crime de heresia e apostasia, e como herege apostata de nossa santa fé catholica

munh?o maior, em confisca??o dos seus bens para o fisco e camara real, e nas mais penas em direito contra similhantes estabelecidas, e como herege apostata de nossa santa fé catholica, convicto, confesso affirmativo, publ

. Os esbirros mandaram-no levantar-se, e beijar um dos doze missaes que decoravam a ampla mesa sotoposta ao estandar

o q

ta agita??o foi de subito applacada pelo appareci

author do Anno historico, trovejou estas palavras do texto: De m

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O Olho de Vidro
O Olho de Vidro
“Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor português, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. Foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa. Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte,o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell", que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856-1859), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Archivo pittoresco (1857-1868), A Esperança (1865-1866), Gazeta Literária do Porto (1868) (também chamada de Gazeta de Camilo Castelo Branco devido à sua extensa colaboração como redator), a revista literária República das Letras (1875), Ribaltas e Gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911) e Feira da Ladra (1929-1943) (font: Wikipedia).”
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