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O Olho de Vidro

Chapter 6 No.6

Word Count: 2062    |    Released on: 04/12/2017

z L

o collegial de S. Paulo

uellas edades a sensibilidade é para pouco; as saudades das pessoas queridas que morreram n?o se prendem á previs?o angustiosa das desgra?a

osos de que o santo officio fosse ainda contender com o estudante por suppor que elle fosse irm?o de Heitor, zelosamente informaram os inquisidores dos piedosos sentimentos de Braz Lui

nnos, foi contraditado pela companhia de Jesus, que enviára delegados a recensear nas universidades e collegios de Evora e Coimbra estudantes esperan?osos, garfos

uistarem para si. A companhia de Jesus cathequisava, mas n?o violentava. Tamsómente as voca??es liberrimas e muito espontaneas lhe serviam. Logo pois que Braz Luiz manifestou indisposi??o para a vida sacerdotal, abriram m?o d'elle os jesuitas, offerecendo-lhe, se necessari

modo de vida. Braz

a conta, que se estremou entre os condiscipulos, ganhando as distinc??es das escolas, a estima dos mestres, e es

alcomportados. Fez-se arruador nocturno, bulhento, femieiro e pimp?o. Os paulistas amea?aram-no de o deixarem entregue aos seus desatinos. Braz Luiz respon

s. Braz, depois de muitas proezas, caíu ferido de uma choupada, que lhe vasou o olho direito. Alguns condiscipulos levaram-n

sto nas sortidas bellicosas, como quem já n?o tinha mais que um olho para sacrificar. Os paulistanos, contentes da reforma do seu protegido, voltaram a soccorrel-o; porém, o pundonoroso academico, reunindo os seus condiscip

filho de Francisco Luiz d'Abreu e Francisca Rodrigues d'Oliveira. Foi o caso, que folheando elle o abcedario por onde come?ára a soletrar, muito na primeira puericia, em companhia do seu primeiro protector, encontrou

e ser um homem apellidado Abreu; mas como esquadrinhar-lhe a naturalidade, as aventuras da vida ou da morte? Em Coimbra n?o havia para que indagal-o; porque elle n?o tinha sequer vaga lembran?a de ter estado em Coimbra nos primeiros annos. Todas a

an?a apparecêra em casa do hebreu Moraes, ao tempo que seu filho voltou da Hollanda. Parentes ainda vivos d'aquelles israelitas n?o sabiam dizer nada a tal r

á mingua de recursos, pensou em estabelecer-se n'alguma terra desprovida de medicos. Um seu contemporaneo da fac

Aqui e n'este mesmo anno come?ou elle a olhar tristemente para a deformidade que lhe deixára no rosto a choupada, e achou-se n?o só

, pintada ou esmaltada, similhante a uma metade de ovo pequeno, dividido longitudinalmente. Este primitivo e pouco engenhoso olho n?o agradava ao nosso joven medico. Indagou no estrangeiro, e de Hollanda o informaram que estava em Amsterdam um hebreu inve

ava envidra?ada. D'ahi seguiu-se chamarem-lhe o doutor Olho de Vidro, alcunha que lhe ficou até á morte, e longos

Braz Luiz, n?o obstante a pouca illus?o que

lvilhos, t?o longe est?o de parecerem ornato na cabe?a do medico, que antes s?o presagios lethaes da vida do doente. Porque se a egreja com pós na cabe?a nos adverte da morte que vem, como o medico com pós no cabello nos ha de recuperar a vida que se vae? Eu, quanto a mim, antes creio que, os pós s?o significativos da morte, emqu

a os polvilhos. Imaginando que os collegas de Braz Luiz se riram muito

parecer que (o medico) evite os cheiros, e que se negue a todo genero de perfumes, porque ainda que Hyppocrates no seu tempo permittia os que n?o eram suspeitos aos achaques, comtudo n'este seculo mai

e: ?Seja tambem modesto o medico nos adornos da cabe?a, t?o introduzidos n'este miseravel seculo, que n?o ha já encontrar solicitador sem cabelleira nem b

digna??o, e a indigna??o porventura fel-o poeta como ao satyrico latino. Um dos mais intelligiveis sonetos que elle escreveu em

se és medico

o14 ser, mas

lo o caract

nos vicios

bebe tu; mas

odilo do r

a beber do

evorar teu

o a modestia

ao grave do

a quem douto

tua fama ma

do de quem

o c?o, que be

avel cuidado de se fazer bemquisto aos homens graves do seu tempo. é, de mais d'isso, muito provavel que o medico se temesse de que os rafeiros do santo officio lhe andassem farejando o sangue; e elle, a contas com a consciencia propria, duvidava

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O Olho de Vidro
O Olho de Vidro
“Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor português, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. Foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa. Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte,o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell", que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856-1859), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Archivo pittoresco (1857-1868), A Esperança (1865-1866), Gazeta Literária do Porto (1868) (também chamada de Gazeta de Camilo Castelo Branco devido à sua extensa colaboração como redator), a revista literária República das Letras (1875), Ribaltas e Gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911) e Feira da Ladra (1929-1943) (font: Wikipedia).”
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