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O Annel Mysterioso, Scenas da Guerra Peninsular

Chapter 7 No.7

Word Count: 2868    |    Released on: 04/12/2017

ital de

nvalescente, se bem que muito debilitado ainda, a relêr algumas das cartas

-n'a as outras mulheres, encarregadas do servi?o do hospital, de extremamente compassiva para o prisioneiro, e zombeteiramente aventam que,

é, n?o se demora no ambiente infeccionado em que ellas respiram; evita-as como a pantanos miasmaticos, sem lhes dar a conhecer que o muladar unicamente é povoado por vermes. Passa inquieta e ao mesmo tempo cautelosa, agitando as suas azas iriadas. Atravessa o loda?al sem tocar-lhe. Guarda para si o nectar que vae libando nas fl?res perfumadas da sua phantasia. é

r germinasse uma alma boa logo corrompida pela putrefa??o contagiosa da caserna. Se n?o tivesse por m?e uma mulher devassa, uma vivandeira, uma meretriz de soldados, que n?o faria mais que atirar sua filha ao berco em que ella propria nascera, poderia encontrar um marido honesto, ser o anjo do lar, divinisar-se no altar da familia, porque as m?es podem considerar-se as santas da religi?o domestica. Mas n?o. Gra?a Strech suppunha-a a fl?r do paul. Tinha para elle a belleza maculada da vegeta??o dos charcos. N?o sabia o que era o azul do firmamento, porque só os lagos, de superficie crystallina, s?o espelho do céo. As fl?res do paul querem viver no lodo; ella queria viver no prazer. Os beijos que recebia tresandavam ao acre do tabaco e da aguardente. N?o dulcificavam; queimavam. E assim como a gente se admira de ver uma fl?r, por mais desbotada e menos formosa que seja, á beira d'um monturo, assim elle se adm

unadas com os invasores, tudo feridos e prisioneiros, que de continuo amaldi?oavam, esporoados pela d?r physica, a Fran?a e o Corso. A lingua que se falava era a d'ellas, mesclada de raras p

só o tempo comprovára, e a consciencia da sua propria situa??o. Estava prisioneiro, guardado á vista por sentinellas francezas, e todavia havia jurado vingar a morte da sua familia. Esta idéa infernou-lhe as primeiras horas de lucidez. Era impossivel despeda?ar

que a prostra??o seria passageira. Na vespera do dia em que estamos, teve Gra?a Strech uma idéa que para logo reputou auxilio providencial. Lembrou-se de que só por interven??o de Rosina poderia evadir-se do hospital de sangue. Tratou pois de corresponder á solicitude com que ella o distinguia, de s

ias dos sonhos dos quinze annos... N'umas denunciava-se a mulher; n'outras a crean?a. Umas eram a lagrima; outras o sorriso. Aquellas tinham a tristeza d'uma nuvem em céo d'abril; estas eram um raio de s

ja

antes. Já cá sabemos da partida da familia real, apezar de tu, grande dissimulado, m'o n?o haveres dito! O padre capell?o anda sempre a contar dinheiro e a ralhar com os abeg?es. Ist

á nossa familia. Queira Deus que continue a paz para que tu possas vir vêr-me brevemente. A noticia do Teixeira{59} deu-me grande alegria, meu José. Reconquisto de novo a felicidade! Eu creio que n?o tenho coragem para soffrer... D

ultima. Estava alli todo o cora??o de sua irm?, a alegria da avesinha, ainda tremula,

quem teme ser importuno, Rosina Regnau

ora

nca, respondeu Gra?a Strech com do

eiras francezas, contestou e

r q

choram á

folegar o rancor latente no cora??o, acrescentou:-A polvora quei

ella maviosamente.-Esquece-se d

u-se pressa em attenuar o ma

?a dá esta incoheren

nt?o muito

ta-se a um prisioneiro, a um ferido, a um homem mil vezes deshonrado, se é infeliz? Onde aprendeu e

chorasse á be

n?o delirei. Conheci que era mais piedosa do que as outras mulheres... Quiz ver até onde chegava a sua sensibilidade..

r a lêr e a chorar... De mais a mais fui eu que lhe dei as cartas para a m

as alguem? l

ava, porque o senhor, quando lh'as dei adivinha

hasse... eu que

sa que n?o tem valor... Eu tambem tenho um d'esses thesour

é

meu pae, que era

erguntou Gr

u com esta madeixa que era o seu unico legado... Nada mais tinha que me deixar..

ntou na vivandeira que tinha baixado os o

regimento, e ninguem offende uma filha. Estima-me;{61} estimo-os. Da guerra que ellas me fazem nem me lembro. Pobresinhas, que n?o s?o capazes d'uma a??o boa! Vivo só, completamente só, senhor. Sou digna da compaix?o de todos, acredite, porque sou infeliz; criminosa n?o. Meu pae, que decerto me está ouvindo n'esta hora, bem o sabe. é porque sou infeliz, que comprehendo as desventuras alheias. Pareceu-me que o senhor tinha maguas secretas. Inspirou-me sympathia. Bem sei que a minha presen?a lhe n?o deve ser agradavel, porque emfim eu sou franceza e o senhor é portuguez. Mas qu

smo chama o abysmo... Jámais correu sangue impunemente... A guerra faz dos homens le?es... E que guerra esta, santo Deus!... Zomba-se de tudo-da virgindade, da honra, da innocencia! Oh! que os seus irm?os tremam das represalias... Medonhas devem ser... N?o se opprime assim um paiz inteiro... A estrada por onde fugiu Junot está atravancada de cadaveres,{62} mas ainda cabe por ella o exercito de Soult. A hora do resgate será tremenda, Rosina. Fuja, fuja emquanto é tempo, pomba que vive entre milhafres. Fuja com a sua innocencia. Eu comprehendo, eu acredito que é boa, e casta. Mas n?o encontrará em Portugal cora??o que possa acceitar o seu amor, alma que prese os thesouros da sua. E sabe por que? Porque entre um portuguez e uma fr

eiro, pedindo soccorro com o olhar, em que s

terrompido de espa?o a espa?o pelos gemidos de alguns portuguezes qu

mulher amada. A excita??o febril do prisioneiro fazia-lh'o crer. Estava longe de supp?r que essa mulher fosse ap

parecesse recobrar alento, inclinou-s

pobre vivandeira, acredite que Rosi

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O Annel Mysterioso, Scenas da Guerra Peninsular
“O Annel Mysterioso, Scenas da Guerra Peninsular by Alberto Pimentel”