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Não deveria ser algo relevante, ainda mais para alguém como ele. Mas cada deslize se tornava uma catástrofe e quando os que estavam ao redor percebiam, já era tarde, pois as mãos de Caio tremiam, o peito arfava como se o ar fosse insuficiente e os olhos, antes frios e calculistas, vagavam em puro desespero.
No início, suas crises se limitavam a agitar as pernas, como se quisesse expulsar a raiva do corpo. Depois vieram os punhos cerrados, batendo contra mesas e paredes. Agora, porém, a fúria havia tomado proporções incontroláveis. Caio derrubava objetos, gritava ordens desconexas e lançava insultos, revelando que nem mesmo o homem mais temido do submundo conseguia dominar o próprio corpo.
Seu braço direito observava em silêncio, cada vez mais inquieto. Já havia visto o chefe perder o controle antes, mas nunca daquela forma. Os gritos ecoavam pelo salão, misturados ao som de objetos se espatifando contra o chão. Caio, o homem que fazia ministros tremerem e rivais desaparecerem, agora parecia um animal encurralado dentro da própria mente.
O subordinado respirou fundo. Sabia que não podia mais ignorar. Aquilo não era apenas raiva, mas algo que corroía Caio por dentro, algo que poderia destruir o império que haviam construído. Se o maior criminoso do mundo estava à beira de se despedaçar, alguém precisava intervir.
Enquanto Caio descarregava sua fúria contra a pobre cozinheira, o braço direito tomou uma decisão. Pegou a lista telefônica sobre a mesa do escritório e, com o celular em mãos, começou a digitar no Google os nomes que encontrava nas páginas, vasculhando referências e notas dos especialistas. Não havia mais tempo para argumentar. O chefe precisava de ajuda. Se ninguém agisse rápido, aquele homem poderoso acabaria sucumbindo a um infarto ou à própria loucura.
Depois de alguns minutos de busca, encontrou um nome que parecia promissor. Respirou fundo e discou. O toque do telefone pareceu durar uma eternidade até que a voz calma atendeu:
- Consultório Almeida, boa tarde.
O subordinado engoliu seco.
- Boa tarde... eu preciso marcar uma consulta urgente para uma terceira pessoa.
― Seria um membro da família? ― questionou a atendente do outro lado.
― Sou o secretário dele, não sei se posso marcar esse tipo de consulta, mas é um pouco urgente.
Do outro lado da linha, a atendente hesitou.
― Entendo..., mas para que a doutora possa avaliar, preciso de algumas informações básicas como... nome, idade, sintomas...
O subordinado fechou os olhos por um instante. Não podia revelar demais, mas também não podia perder aquela oportunidade.
― Ele tem quarenta anos. É... um homem de negócios. Ultimamente tem sofrido crises intensas: tremores, falta de ar, explosões de raiva. Está piorando a cada semana. Se não receber ajuda, temo pelo que pode acontecer.
― Ok e qual o nome e sobrenome dele?
― Caio... ― suspirou. Houve silêncio. O subordinado sentiu medo da decisão que estava tomando. Se Caio descobrisse que ele havia marcado uma consulta sem autorização, poderia ser o fim. Mas também se não fizesse nada, o chefe poderia morrer diante de todos. ― Caio Leone.
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