icon 0
icon TOP UP
rightIcon
icon Reading History
rightIcon
icon Sign out
rightIcon
icon Get the APP
rightIcon

Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto

Chapter 3 NA AGUIA D'OURO

Word Count: 6224    |    Released on: 04/12/2017

imas noites do

e mau humor; mas, embora; o folgaz?o entrudo ria-se de taes severidades e dan?ava ao som do vento e da chuva, e sob o docel de nuvens negra

s. Dos cabides dos guarda-roupas, provisoriamente armados nas lojas circumvizinhas aos principaes sal?es de baile, pendiam vestuarios correspo

uma fascina??o analoga á que produz um conto de Hoffmann em imagina??es excitaveis, e exercida n'elles por tantas mascaras enfileiradas, cuja d

, prestes a atropellal-os, ou pela interjei??o pouco harmoniosa dos cadeirinhas obrigados por causa d'elles a irregularidades no andamen

magem de todos os inoffensivos scismadores d'este mundo, a quem sempre

era geral

... a enfastiarem-se, f

de quasi todos os segredos politicos, particulares e artisticos d'esta terra; alguma cousa havia

ultuosas, e dos hurrahs ensurdecedores rompiam, como uma torrente, do acanhado portal d'aquelle bem conhecido edificio; e por muito tempo essa torrente, á m

s corredores, hesitavam perplexos entre ordens contradictorias, vinham apressar os

onvidára a ir ceiar a humilde costelleta, principal trophéo culinario da casa,

ro parecia d'esta vez aureolada de n?o se

e Jupiter, que cor?a a taboleta do estabelecimento, parec

a que tem já dado que entender a ministerios e

olhar certo ar de preoccupa??o, certa importancia no gesto, como se e

om a anima??o que se perce

m, e amea?avam perpetuar-se, reproduc??es, em lona, dos combates que restabeleceram a inde

bilhar cabec

N'aquella noite as discuss?es sobre a guerra da Crimeia, ent?o na or

melancolico e quasi lugubre, qu

s nas escadas e corredores, penetremos na sala d

suas particularidades architectonicas n?

azes a festa, a qu

s, poré

na o fulgor das luzes; o jantar vae no fi

osos extravasados, convivas em todas

ra. A confus?o póde d

epois, distribue-se em especialidades por diversos grupos; mais tarde, generalisa-se de novo; em certas occasi?es, todas as b?cas fallam, cada um se escuta a si; n'outras algum orador consegue por instantes fazer-se escutar de todos, até que um áparte, um incidente, um gesto, restabelece

oca; conversam mais longe de aventuras de amor dois rapazes fronteiros e, atravessando-se diagonalmente com t?o agradavel prática, o dialogo de outros dois exerce-se sobre modas de casacos; um grupo exalta-se, tratando assumptos de theatro lyrico e premeditando pateadas e ova??es; ju

terminar o elemento commum d

vida de adolescente, até o velho, que, ingenuamente persuadido de que o tempo se esqueceu de lhe ir contando os annos, deixa passar a gera??o, contemporanea sua, e insiste em viver, entre rapazes, vida de rapaz; ha-os em diversas circumstancias monetarias, desde o capitalista, que vê correr descuidado a fonte dos seus rendimentos, com tranquillisadora confian?a no inesgotavel manancial que a alimenta até á classe dos encostados, verdadeiros martyre

e, que pretenciosamente se decora com o titulo de elegante e para pertencer á qual é difficil fazer resenha dos requi

risava. Um jantar póde muito bem ser motivo de si mesmo: sendo possivel d'elle dizer-se de a

ntraremos alguem

tres pessoas, n?o será prova de grande perspicac

Whitestone um dos conviv

e modificar a assembleia a ponto de se lhe poder referir o conticuere omnes da Eneida;-verdade é que n?o t?o completame

om os boatos comicos e escandalosos, de que sempre

scutavam tod

mpo de ouvir o principio da na

o no de um jornalista; seu vizinho-apesar do avis

as opera??es gastronomicas, investia com denodo contra um tymbale de pombos,

amantes ingenuos-acudiu

consequencias-re

bradaram algumas vozes-Va

nfeitou-se, perfumou-se, a

esque?a-acrescentou

s-e feitos todos estes aprest

a essa entrevista?-

s as noites, depois de pousar na relva o chapéo, a bengala e as luva

el!-exclamaram

lav

hanica, aquelle bojo...-principiou

ou outro-é exactamente

ipio de Archimedes

ia uma bella experiencia p

...-annoto

quéda dos graves... um t?o grave

o calembourg ao supremo g

Carlos; e depois?-di

s con

nselheiro a mais triste surpreza; ao entrar na

o V

ginem agora vocês o soberbo dia

simo! Que harmonioso

principiou talv

ub tegmine fagi Formosam res

ubans. A posi??o de Vi

utandis, j

a tua latinidade exprimiria a

como os antigos agoureiros, consultando as entr

s, Carlos, quaes for

am as que vocês já sa

rrompida por o criado da hospedaria, que se

senhores,-disse Carlos, p

nalista-temos carta de

olou um dilettante, voltando as

la??o de alguma Troya s

ambiarra e ribalda; te

ga de bilhetes de benefici

ria, ao ab

ra as digest?es os sobresaltos de co

e a que já estou habit

e tornou-

!-disser

o comp

eficiada sobem até o

lheiro trepa uma segunda faia, e d'esta

ou-se do aparador, e escreveu no verso do bil

nheiros do festim, fingindo d

jo, se

azas do

Leandro, eu,

se o infortuni

quando o r

depois de fechar a carta

o; mas o esfor?o era visivel, circumstancia

, que lhe ficava defronte-re

salvar a sua Leonora das garras de

omesticos; o que vale por u

insiste pelo prompto pagamento d

va a sua ingr

inho e procurando conservar ás suas palavras o tom jovial do princip

ecorda

même, De nos tran

era hoje o dia dos meu

vér

ue eu

?je t'aime!? J'ava

s calado

do o soubesse a temp

ber-nos-hias

agrar estes dias exclusiv

sentime

quando em quando um monossyllabo rosnado, ou uma interjei??o,

r um céo

, um pouco turv

arv?o d

a paraphrase de al

vocaes sobre mot

rriu, res

ndo, tem seus prazeres ta

de familia; mas envergonhavam-se de fazer t?o claro, e em plena ceia de carnaval, tal confiss?o. Que querem? n?o está em moda trazer o cora??o á vista. é costume tratar, como rid

uidade, dissera aquellas palavras, que lhe valeram allus?es epigrammaticas

que parecia haver impressionado devér

arl

ei que seria desnecessario pedir-te para nos dares o p

nn

ilhete, Carlos r

en

dade? Agora n?o posso valer-lhe. Obriguei-me a seguir até o fim companheiros t?o doudos como eu; e, quando os deixasse, n?o sei se ainda iria em estado de poder, sem profana??o, sentar-me ao teu lado, á santa e

mau

rle

??es mais, um dos convivas le

saudemos o anniversario de Ca

onderam todos

tes pelos trezentos e sessenta e cinco dias, que se v?o seg

gos speeches; olá! B

gole que entra, do que a phr

ia ao mais sabio, é o vinho que a merece; p

upar, ao menos agora, á diffici

amos!-insis

nde foi

amigavel desgosto; Jenny, a unica a fazer companhia ao velho negociante, que n?o pouco devia ter sentido a ausen

distrahia completamente a atten??o dos assumptos, que na sala se tratavam, enfraquecia-lhe a intensidade d'ella

mento, em occasi?es assim. Lá se gravam ainda as imagens das cousas exteriores, mas, n?

rva??es feitas por Carlos no resto da noite, e a imp

; a qualquer d'estes assumptos n?o costumava Carlos, nas ordinarias dispos

lado d'elle, interpellou-o p

nalista tendia fatalmente a degenerar em longa

ra??o? Alguma loura e nevada miss? hein? Oh! as inglezas! A desassombrada candura do seu suavissim

ahi pri

Carlos? Que me diz d'a

nte o melhor dos seus

u n?o participo da admir

é preciso

e de Xerez. Depois de alguma asser??o

iu. N'este intervallo, p?de ouv

pelo menos, trezentos contos de

lista p

osophia gela a inspira??o litteraria. Ahi tem Pope. é frio, é árido, é marmoreo.-Pausa.-Os poetas francezes n?o teem tanta tendencia para se deixarem philosophicar, permitta-me o neologismo. Victor Hugo, ás vezes... Qual prefere você, ó Carlos, Lamartine ou Victor Hugo? Victor Hugo é mais byroniano. E é notavel que fosse Lam

urante a qual o orado

ontinuav

que n'um grupo

ta parelha é o vis

a do Manoe

s adi

nalyticos; a synthese precede a analyse, e dá a esta a for?a que vae buscar ao m

ista con

e resolvo a entoar amen á opini?o dos povos.-Pausa.-Por exemplo, te

de p

a, um dos convivas, apontando para o calix, que leva

, mas n?o diss

dar commigo; Dante é um rapsodista quasi como Homero. Que é a Divin

us

volu??o carlista em Pamplo

s que est?o implicados alguns sargento

a disserta?

o da fórma. Lá essa qualidade t

l cammin di

ue foi escripto. E esse é o signal supremo do genio. As imita??es de La Fontaine s?o pallidas. Desengane-se. La Fontaine, a final, era contemporaneo de Luiz XIV. N'aquella c?rte n?o podia existir a verdadeira inspira??o. Ab

os alliados se metterem a dar o assa

ada de Sebastopol a Simphirepol e depois fallaremos. Olha q

lista c

olière, é Rabelais. Oh! o Rabelais é o meu livro! Ha tres livros qu

ando-se, já impaciente e procurando subtrahir-se á torrente de perguntas, respostas, aprecia?

da alma-o da religi?o, da patria e do amor;-bem o sei; mas confesso-lhe, o que, por temperamento, mais me seduz é a pintura social e

dilettante, por traz de cuja cadeira os dois passavam n'aquelle mome

a seita, que passa metade do anno a suspirar pelo theatro lyrico e outra a dizer systematicamente mal

N?o sacudas reputa??es cobertas pelo pó do

de conhecedor equivale a um assento

embespinhado

ultis-diss

in pace-trauteou

ia já a fallar em librettos de operas, em Felice Romani,

ela m?o de um rapaz, junt

ia o que o segurava.-ó Carlos, dize-n

deu Carlos,

Viegas, d'aquelle brazileiro,

ent

ue dote achas tu que

arava-se já para seguir para diante, quando outro, a quem igualm

iegas n?o lhe póde da

mesa, o padre, conseguindo passar esta nota por meio de

disputantes, aceitando o au

lamente os bei?os e ench

padre Manoel

entre os olhos e a luz, e revendo-se na limpidez do licor; e ant

s con

enos ... pe

os labios e

e sete con

O

do da mesa, seguido ainda do j

-O dinheiro-A litte

r de Alexandre Dumas, f

... etc.

reparatorios-a Emilia Victorina é outra qualidade de mulher. Ainda hontem, em casa do bar?o de Tavares, m

lhe os primeiros estragos, quando e

...-dizi

A mulher tem sempre a

arenta e tantos annos, a mulh

Carlos, qu

deu Carlos, que nem

affirmar que prefere a Emilia

firo,

n?o acha admiravel aq

ian

a, onde as veias se desenham em azul; a

provincias do Norte pelo menos, a da Clementina Rialva-lembro

entoaram m

ma chronica viva de boatos do dia-sabem que

vér

m o Brito, que, como

el cata

mpregar-se. Ora o Rialva, pae, tem inf

imentaes dos quinto

ntou, encolhendo os hombros, um mal

unhado é empregado na

erio deve-l

s servi?os eleitoraes do Rialva; pois eu digo-vo

ó menino! Pois quem

lá o Robor

nisterio, mas depois de um certo emprego na alfandega que pedi

Coimbra chamavamos o gigan

e conformar com a existencia dos antipodas. Dizia elle que até lhe fazia mal pensar

a em que

o de um grupo, que estava já em pé no out

todos os olhares co

agrimas dos olhos. Junto d'estes, o quinto mostrava, em cer

te homem!-dizia

s que n?o faziam parte do grupo,

constrangid

m caso; s

am-insistiam

ires, que fez uma d

-tentou este

radaram muit

ystema de comportas que viu no estrangeiro, observou-nos que havia de se dar bem por lá, po

los, ou assim uma co

uffocada por um c?ro

roer os diques dos Pai

uma geral

el capricho

endente a sorte dos im

ln

zavam-se os epigrammas, e a co

uma voz domi

é tempo de fazermos a nossa entr

va, e erguendo-se da mesa,

conquistas

todos, imitando-o.-

tar de cadeiras, que

portal da Aguia os joviaes companheiros,

entiam-se do emprego d'

n'elle, caminhou, com movimentos mal seguros, por o largo da Batalha, dizendo em tom confidencial e qua

e ti a ultima das impress?es que eu revelei em verso... Eu gósto de fallar d'isto só

dos que a ouviram acercaram-se d'elle, porque tinha certa no

ascaras desgarradas, que encontravam caminho do theatro.

rapido a sor

smo quasi selvagem, o seguinte hymno ao tabaco, o qual, deve

ro dos

ens de

s me p

sobre

utros t

tanto o

d'este

bo exe

ns espl

as as

horas

ente

-lhe ao

ico a

ce Ma

s e A

h! longe

sonhos

sera

Ther

ao na

das pa

arde em

ar do

ra?a g

nas ar

a as s

abio

m-se as

oz beb

do se

usta

folha

as da

ossa

ida

a em f

o hydro-í

ema a

lhas d

, ó al

dos la

meus c

ymnos

das a

o nas

tros t

gua l

a brit

ror e

usa n

des s

ou?o do

em pr

as ing

o-me

ha da c

r mar

ciga

o inv

l é sc

ou ort

u pa

a de ell

to é da

do ta

o qual

eptro

, Asia,

rra ho

eroe d

mo co

a Lap

nte p

a; e n

bre e

a e no

o e no

menso

ve a

ridos

mo inda

parvos

ijos,

o outros

ro outr

ais do

fumo s

as Ves

cas f

ens qu

am mo

Oh de

r de

ve o

do as

scutavam, devéras enthusiasm

os preoccupado já. Principia

mpra uma

?o! qu

, meus amos,

hetes da melhor maneira possivel. Cêdo entravam no sal?o do theatro, onde já centenares de pessoas morriam de calor, de asphy

nger a repetir mais outra vez a opera??o, recordando essas horas de insipidez, a que se sujeita, sob pretexto de

só por a necessidade que tinha de mostrar em ac??o o caracter do nosso heroe e exemplificar o seu systema de vida e sua co

Claim Your Bonus at the APP

Open
Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto
“Uma família ingleza: Scenas da vida do Porto by Júlio Dinis”
1 Chapter 1 ESPECIE DE PROLOGO, EM QUE SE FAZ UMA APRESENTA O AO LEITOR2 Chapter 2 MAIS DUAS APRESENTA ES, E ACABA O PROLOGO3 Chapter 3 NA AGUIA D'OURO4 Chapter 4 UM ANJO FAMILIAR5 Chapter 5 UMA MANH DE MR. RICHARD6 Chapter 6 AO DESPERTAR DE CARLOS7 Chapter 7 REVISTA DA NOITE8 Chapter 8 NA PRA A9 Chapter 9 foi, hontem mesmo, despachado para esse logar 10 Chapter 10 NO ESCRIPTORIO11 Chapter 11 JENNY12 Chapter 12 CECILIA13 Chapter 13 OUTRO DEPOIMENTO14 Chapter 14 VIDA PORTUENSE15 Chapter 15 IMMINENCIAS DE CRISE16 Chapter 16 VIDA INGLEZA17 Chapter 17 NO THEATRO18 Chapter 18 CONTAS DE CARLOS COM A CONSCIENCIA19 Chapter 19 CONTAS DE JENNY COM A CONSCIENCIA DE CARLOS20 Chapter 20 AGGRAVAM-SE OS SYMPTOMAS21 Chapter 21 MANOEL QUENTINO PROCURA DISTRAC ES22 Chapter 22 O QUE VALE UMA RESOLU O23 Chapter 23 EDUCA O COMMERCIAL24 Chapter 24 DIPLOMACIA DO CORA O25 Chapter 25 EM QUE A SENHORA ANTONIA PROCURA ENCHER-SE DE RAZ O26 Chapter 26 TEMPESTADE DOMESTICA27 Chapter 27 INEFFICAZ MEDIA O DE JENNY28 Chapter 28 O MOTIVO MAIS FORTE29 Chapter 29 FORMA-SE A TEMPESTADE EM OUTRO PONTO30 Chapter 30 OS AMIGOS DE CARLOS31 Chapter 31 PESO QUE PóDE TER UMA LEVIANDADE32 Chapter 32 O QUE SE PASSAVA EM CASA DE MANOEL QUENTINO33 Chapter 33 OS CONVIVAS DE MR. RICHARD34 Chapter 34 EM HONRA DE JENNY35 Chapter 35 MANOEL QUENTINO ALLUCINADO36 Chapter 36 A SENTEN A DO PAE37 Chapter 37 A DEFEZA DA IRM 38 Chapter 38 COMO SE EDUCA A OPINI O PUBLICA39 Chapter 39 JUSTIFICA O DE CARLOS40 Chapter 40 COR A-SE A OBRA